Entre tantas outras questões que surgem na adolescência, onde suas respostas
terão grandes conseqüências na vida adulta, a escolha profissional
certamente é a mais importante delas. Apesar da escolha incidir diretamente
sobre o futuro do adolescente, ela não é feita apenas por ele: a resposta
vem influenciada pela família, pelos pares, pelo cenário econômico do país
naquele momento, pelas profissões idealizadas na infância, pelas profissões
tradicionais e as profissões “da moda”.
Por medo de fazer a escolha errada, alguns jovens se rendem aos sonhos dos
pais, na maioria das vezes, optando por profissões mais tradicionais como
Medicina, Engenharia, Direito. Outros jovens recorrem aos testes de
orientação vocacional para conhecerem outras profissões e com isso,
descobrirem a sua “vocação”.
Mas esta questão está além de identificar em qual área se tem vocação. Não é
só uma questão de talento. É preciso ainda levar em consideração que o jovem
tem um longo caminho pela frente, onde o primeiro passo é o vestibular.
Depois, a transição do ensino médio para o superior, que vem carregada não
só de expectativas positivas, mas também uma série de receios e
dificuldades. Já na gradução, é preciso se identificar e se manter no curso
até concluí-lo, e enfim, a etapa mais difícil, a entrada no mercado de
trabalho. Certamente são pontos que o processo de orientação vocacional não
prevê.
Além disso, todo o caminho traçado pelo estudante até sua inserção no
mercado de trabalho não é levado em consideração. Muitas vezes, a frustração
na escolha da profissão pode começar aí: a universidade não prepara, na
prática, o estudante para o mercado de trabalho. Alguns se formam sem saber
exatamente que área de atuação seguir, ou a real função e importância da sua
profissão. Ainda, segundo Bondan e Bardagi, o trabalho também pode ser
motivo de amadurecimento precoce, principalmente devido às responsabilidades
da atividade laboral, da busca por independência e sobretudo, pelo fato de
se tornarem co-provedores das despesas familiares.
Mesmo não prevendo todo o percurso do adolescente da escolha até sua
afirmação no mercado, certamente o papel do psicólogo é bastante importante,
pois tem como aliado a orientação vocacional, que é um poderoso instrumento
de apoio à escolha da carreira, onde não diz qual a profissão que o jovem
deve escolher, mas sim deve nortear, de acordo com suas características e
personalidade, profissões e possíveis áreas de interesse nesta etapa tão
importante da sua vida.
Referências:
BARRETO, Maria Auxiliadora and AIELLO-VAISBERG, Tania. Escolha profissional e dramática do viver adolescente.* **Psicol. Soc.* [online]. 2007, vol.19, n.1 [cited 2010-03-01], pp. 107-114 . Available from: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822007...>. ISSN 0102-7182. doi: 10.1590/S0102-71822007000100015. BONDAN, Alzira Pimentel; BARDAGI, Marucia Patta. Comprometimento profissional e estressores percebidos por graduandos regulares e tecnológicos.* **Paidéia (Ribeirão Preto)*, Ribeirão Preto, v. 18, n.
41, Dec. 2008 . Available from < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2008...>. access on 29 Fev. 2010. doi: 10.1590/S0103-863X2008000300013.
BUENO, José Maurício Haas; LEMOS, Caioá Geraiges de and TOME, Fátima Aparecida M. F.. Interesses profissionais de um grupo de estudantes de psicologia e suas relações com inteligência e personalidade.* **Psicol. estud.* [online]. 2004, vol.9, n.2 [cited 2010-03-01], pp. 271-278 . Available from: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722004...>. ISSN 1413-7372. doi: 10.1590/S1413-73722004000200013.

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