Moacir Strose Jr
Se a escolha profissional já em si uma árdua tarefa, senão para todos, para a maioria dentro do universo de pessoas que apresentam tal possibilidade de escolha, tomemos esse fato inserido geralmente na nossa cultura, na adolescência.
Já se foram épocas onde a possibilidade de uma escolha profissional, fosse uma escolha tendenciosa, uma escolha vocacional, uma escolha visando rentabilidade financeira ou mesmo uma mistura desses possíveis caminhos, se apresentava de modo mais restrito. Não que ainda não existam as tais profissões tradicionais que habitam as fantasias humanas, porém, em tempos atuais são inúmeras e cada vez maiores as possibilidades de uma profissão.
Esse fato, por si só, já pode causar incertezas.
Somado a esse panorama, segundo Barreto & Aiello-Vaisberg, nossa contemporaneidade apresenta, relacionado a profissões, um alto índice de desemprego, criando ainda mais incertezas bem como não exercendo tanta atração aos jovens na iminência de participarem desse mercado de trabalho.
Consideremos também o caso brasileiro onde cada vez mais é oferecido curso superior, sendo que não há vagas para atenderem toda demanda das universidades, contribuindo, portanto, para profissionais de ensino superior desempregados, e na contramão, um mercado com demanda de profissionais de cursos técnicos, formação essa que normalmente não faz parte das fantasias dessa maioria de jovens com possibilidade de escolha.
Como se não bastasse esse contraditório e inseguro panorama, é normalmente na adolescência que essa escolha deve ser feita, justamente onde, segundo Aberastury & Knobel, vivenciado a “Síndrome da adolescência normal”, esses mesmos jovens que procuram por uma decisão sobre uma profissão, passam por momentos de desinteresse, de elação, crise intelectual, necessidade de urgência e apatia, dentro outros conflitos próprios e esperados da adolescência que conhecemos atualmente.
Ora, parece que a congruência dos fatos nos leva a vivenciar um momento de escolha profissional dramática dessa vivência do adolescente, lembrando, que tem ferramentas e possibilidades de escolha, diretamente relacionadas ao segmento social no qual está inserido.
Outro conceito que corrobora com essas dramáticas incertezas, é o de moratória, que de acordo com Calligaris, é como o adolescente é visto – já recebeu inúmeras informações e formações de seus pais, meio social, escolas, valores da sociedade, e estando pronto para colocar em práticas tais conhecimentos, é lembrado que ainda “não está pronto”; já um tempo de suspensão entre o que foi aprendido e a possibilidade de colocar em prática tais conhecimentos.
E tendo ainda que decidir por uma profissão, que de antemão, parece ser para o resto de sua vida e normalmente, assim ocorre.
Entendo ser um campo onde o psicólogo pode dar grande contribuição, compreendendo esse momento do adolescente e ajudando-o com suas compreensões e escolhas. E nesse momento, o saber psicológico pode também contribuir para as decisões, inclusive, de segmentos sociais menos favorecidos, onde haja, pelo menos, alguma possibilidade, senão para um curso superior, para cursos
profissionalizantes técnicos, afinal, de certa forma, algumas características se mantém na adolescência, independente de sua localização, em maior ou menor grau.
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terça-feira, 2 de março de 2010
*A inserção do adolescente no Mercado de trabalho*
Patrícia de Lacerda Arnholdt
Entre tantas outras questões que surgem na adolescência, onde suas respostas
terão grandes conseqüências na vida adulta, a escolha profissional
certamente é a mais importante delas. Apesar da escolha incidir diretamente
sobre o futuro do adolescente, ela não é feita apenas por ele: a resposta
vem influenciada pela família, pelos pares, pelo cenário econômico do país
naquele momento, pelas profissões idealizadas na infância, pelas profissões
tradicionais e as profissões “da moda”.
Por medo de fazer a escolha errada, alguns jovens se rendem aos sonhos dos
pais, na maioria das vezes, optando por profissões mais tradicionais como
Medicina, Engenharia, Direito. Outros jovens recorrem aos testes de
orientação vocacional para conhecerem outras profissões e com isso,
descobrirem a sua “vocação”.
Mas esta questão está além de identificar em qual área se tem vocação. Não é
só uma questão de talento. É preciso ainda levar em consideração que o jovem
tem um longo caminho pela frente, onde o primeiro passo é o vestibular.
Depois, a transição do ensino médio para o superior, que vem carregada não
só de expectativas positivas, mas também uma série de receios e
dificuldades. Já na gradução, é preciso se identificar e se manter no curso
até concluí-lo, e enfim, a etapa mais difícil, a entrada no mercado de
trabalho. Certamente são pontos que o processo de orientação vocacional não
prevê.
Além disso, todo o caminho traçado pelo estudante até sua inserção no
mercado de trabalho não é levado em consideração. Muitas vezes, a frustração
na escolha da profissão pode começar aí: a universidade não prepara, na
prática, o estudante para o mercado de trabalho. Alguns se formam sem saber
exatamente que área de atuação seguir, ou a real função e importância da sua
profissão. Ainda, segundo Bondan e Bardagi, o trabalho também pode ser
motivo de amadurecimento precoce, principalmente devido às responsabilidades
da atividade laboral, da busca por independência e sobretudo, pelo fato de
se tornarem co-provedores das despesas familiares.
Mesmo não prevendo todo o percurso do adolescente da escolha até sua
afirmação no mercado, certamente o papel do psicólogo é bastante importante,
pois tem como aliado a orientação vocacional, que é um poderoso instrumento
de apoio à escolha da carreira, onde não diz qual a profissão que o jovem
deve escolher, mas sim deve nortear, de acordo com suas características e
personalidade, profissões e possíveis áreas de interesse nesta etapa tão
importante da sua vida.
Referências:
BARRETO, Maria Auxiliadora and AIELLO-VAISBERG, Tania. Escolha profissional e dramática do viver adolescente.* **Psicol. Soc.* [online]. 2007, vol.19, n.1 [cited 2010-03-01], pp. 107-114 . Available from: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822007...>. ISSN 0102-7182. doi: 10.1590/S0102-71822007000100015.
Entre tantas outras questões que surgem na adolescência, onde suas respostas
terão grandes conseqüências na vida adulta, a escolha profissional
certamente é a mais importante delas. Apesar da escolha incidir diretamente
sobre o futuro do adolescente, ela não é feita apenas por ele: a resposta
vem influenciada pela família, pelos pares, pelo cenário econômico do país
naquele momento, pelas profissões idealizadas na infância, pelas profissões
tradicionais e as profissões “da moda”.
Por medo de fazer a escolha errada, alguns jovens se rendem aos sonhos dos
pais, na maioria das vezes, optando por profissões mais tradicionais como
Medicina, Engenharia, Direito. Outros jovens recorrem aos testes de
orientação vocacional para conhecerem outras profissões e com isso,
descobrirem a sua “vocação”.
Mas esta questão está além de identificar em qual área se tem vocação. Não é
só uma questão de talento. É preciso ainda levar em consideração que o jovem
tem um longo caminho pela frente, onde o primeiro passo é o vestibular.
Depois, a transição do ensino médio para o superior, que vem carregada não
só de expectativas positivas, mas também uma série de receios e
dificuldades. Já na gradução, é preciso se identificar e se manter no curso
até concluí-lo, e enfim, a etapa mais difícil, a entrada no mercado de
trabalho. Certamente são pontos que o processo de orientação vocacional não
prevê.
Além disso, todo o caminho traçado pelo estudante até sua inserção no
mercado de trabalho não é levado em consideração. Muitas vezes, a frustração
na escolha da profissão pode começar aí: a universidade não prepara, na
prática, o estudante para o mercado de trabalho. Alguns se formam sem saber
exatamente que área de atuação seguir, ou a real função e importância da sua
profissão. Ainda, segundo Bondan e Bardagi, o trabalho também pode ser
motivo de amadurecimento precoce, principalmente devido às responsabilidades
da atividade laboral, da busca por independência e sobretudo, pelo fato de
se tornarem co-provedores das despesas familiares.
Mesmo não prevendo todo o percurso do adolescente da escolha até sua
afirmação no mercado, certamente o papel do psicólogo é bastante importante,
pois tem como aliado a orientação vocacional, que é um poderoso instrumento
de apoio à escolha da carreira, onde não diz qual a profissão que o jovem
deve escolher, mas sim deve nortear, de acordo com suas características e
personalidade, profissões e possíveis áreas de interesse nesta etapa tão
importante da sua vida.
Referências:
BARRETO, Maria Auxiliadora and AIELLO-VAISBERG, Tania. Escolha profissional e dramática do viver adolescente.* **Psicol. Soc.* [online]. 2007, vol.19, n.1 [cited 2010-03-01], pp. 107-114 . Available from: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822007...>. ISSN 0102-7182. doi: 10.1590/S0102-71822007000100015. BONDAN, Alzira Pimentel; BARDAGI, Marucia Patta. Comprometimento profissional e estressores percebidos por graduandos regulares e tecnológicos.* **Paidéia (Ribeirão Preto)*, Ribeirão Preto, v. 18, n.
41, Dec. 2008 . Available from < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2008...>. access on 29 Fev. 2010. doi: 10.1590/S0103-863X2008000300013.
BUENO, José Maurício Haas; LEMOS, Caioá Geraiges de and TOME, Fátima Aparecida M. F.. Interesses profissionais de um grupo de estudantes de psicologia e suas relações com inteligência e personalidade.* **Psicol. estud.* [online]. 2004, vol.9, n.2 [cited 2010-03-01], pp. 271-278 . Available from: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722004...>. ISSN 1413-7372. doi: 10.1590/S1413-73722004000200013.
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